A notícia de uma violação vangloriada (e a TUA responsabilidade no assunto)

Desculpa chamar-te à responsabilidade pelo jovem que se vangloriou por ter violado uma jovem… E por todos os outros jovens que, no meio daquela conversa assustadora, comentavam a situação com “🤣🤣🤣”.
Desculpa chamar-te à responsabilidade, mas está nas tuas mãos evitar que actos semelhantes se continuem a perpetuar. Porque está nas tuas (e nas minhas) mãos criar os homens e mulheres de amanhã.

A educação é mandatária.
E não é a educação do “por favor” e “obrigado”.


É imperativo ensinarmos as nossas crianças sobre consentimento, sobre respeitar o seu corpo e o dos outros. É urgente que a educação sexual não seja apenas focada na questão biológica. É urgente abrir espaço aos jovens para falar sobre sexo abertamente, especialmente sobre os seus limites. Precisamos esclarecer, de forma adaptada às suas idades, temas como a violação e o assédio.


É obrigatório e da nossa responsabilidade enquanto pais, educadores, etc., ensinar as nossas crianças a viver para além dos estereótipos e permitir-lhes sentir emoções.
A raiva, a frustração, o desejo, etc… Esta permissão para SENTIR, desde tenra idade e independentemente do sexo, é necessária para aprender a lidar com as emoções de forma não-agressiva ou violenta.

É incrivelmente importante ensinar as nossas filhas que serem “boas meninas” NÃO É serem permissivas, agradar aos outros, ter um papel passivo ou por constantemente as necessidades e vontades dos outros acima das suas.


É incrivelmente importante ensinar aos nossos filhos que serem “um homem” NÃO É sobre controlo, força e agressividade. Estes são sinais de indivíduos com deficiências emocionais e afectivas e falta de capacidade para se exprimirem e comunicarem.


Portanto, responsabiliza-te.
É necessária a tua ajuda para (tentar) acabar com esta cultura que está a crescer (novamente) nos jovens.

Para isso, é importante:
⭐️ Combater estereótipos de género;
⭐️ Ensinar (e aprender) inteligência emocional;
⭐️ Encorajar a autonomia corporal;
⭐️ Ensinar tudo sobre o consentimento e educação sexual (em todos os seus níveis e não apenas da perspectiva biológica);
⭐️ Encorajar a compaixão, a entre-ajuda e a não ficarem indiferentes face às injustiças;
⭐️ Monitorar os consumos de Média.


E, para cada um destes pontos, estar SEMPRE disponível para FALAR, FALAR, FALAR. Sem tabus ou vergonhas. Ter sempre a porta aberta para esclarecer e ajudar.

E, no nosso dia-a-dia, estarmos sempre prontos a aprender e a actualizar-nos. Estarmos sempre prontos a colocarmo-nos nos sapatos dos outros, a manter uma mente aberta e a não julgar as nossas crianças e o mundo em geral.
E, claro, a sermos tolerantes e termos compaixão no dia-a-dia… Porque as crianças vão olhar para nós e aprender com as nossas ações. É a partir das nossas ações que a sua bússola moral será guiada, que aprenderão o bem e o mal.


👉 E tu? Como reagiste à notícia em questão?
Que outras medidas achas que ajudariam a combater estas situações?

Carla Oliveira https://www.instagram.com/filhodanerd/ http://www.filhodanerd.pt

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