Nada fazia prever que estaríamos em plena pandemia quando engravidei… no início de fevereiro de 2020! Também ninguém me disse que no final de março essa gravidez iria “acabar”! Nunca estamos preparados, mas passar sozinha por esta dor é sem dúvida um buraco sem luz! Entrar sozinha no hospital, aguardar sozinha na sala de espera, olhar para o ecógrafo e perceber que não há um coração a bater…sozinha!
Já não era a primeira vez; mas é o tipo de dor que não nos ensinam a combater! É o sentimento que fica escondido e não é partilhado! E não, nunca o aprendemos!

Vim para casa de “colo vazio”!
Em maio voltei a engravidar! E se na primeira gravidez (levada a termo) só quisemos saber o sexo na hora do parto – uma menina, desta vez optámos por saber mais cedo! Uma menina☺️
Uma gravidez tranquila, não fosse a ausência de abraços, beijos, amigos! A distância obrigatória dos que amamos, dos que gostam de nós! Mas voaram os quase 9 meses de barriga! Fui às consultas sozinha, ecografias sozinha (tirando as morfológicas, porque foram feitas numa clínica privada), só não soube o sexo sozinha porque pedi à minha médica que escrevesse num papelinho, que abri quando cheguei ao carro… e vimos os 3 juntos! A mais velha sempre disse que ia ter uma mana, e acertou!

Inesperadamente mais cedo, a minha Mini nasceu, rodeada de amor, duma equipa fantástica, do pai (que felizmente pôde estar presente)! Se não fosse o facto de estar de máscara durante todo o processo, nem diria que lá fora continuávamos a sobreviver a um bicho que só apareceu para nos levar à loucura, porque de aprendizagens vejo muito pouco!
Mas isto tudo para quê? Porque ser mãe em tempo de pandemia foi o melhor que me aconteceu, porque fui mãe, porque correu tudo bem, porque apesar das minhas reticências iniciais, (do medo até) tudo teve um final feliz! Pude abraçar, vir para casa…
Para mim “bastou” refletir! Vir para casa e trazer sempre a minha bebé comigo, eu sabia que ia sozinha mas ia ver vida, ia ver amor! Agarrei-me a cada bater de coração! Agarrei-me à esperança!
A pandemia vai fazer parte da nossa História! Um dia mais tarde (elas não se vão lembrar🙏), eu vou dizer-lhe que ela foi filha do Amor da mãe do pai, não foi filha do confinamento! Embora tenha sido…☺️
Beijinhos
Mena Valério